Artesanato
Esse
texto foi escrito por André Fernando e Bonifácio (Índios
Baniwa, Presidente e Vice da OIBI - Organização Indígena
da Bacia do Içana em 96).
Em
épocas atrás os Índios Baniwas (Comunidade dos índios
Baniwa do Rio Içana, afluente da margem esquerda do Rio
Negro, distante 700 Km do Município de São Gabriel da
Cachoeira e 1.500 km de Manaus) de acordo com suas
necessidades de sobrevivência produziam material de
preparo alimentício, caça, pesca, vestimenta,
realizavam festas culturais e comemorativas, construíam
abrigo e transporte com materiais tirados na natureza sem
jamais prejudicá-la.
Os Índios não são
de fazer desmatamento. São os que bem preservam o meio
ambiente cuidando e mantendo-o sempre em sua forma
original.
Quando chegaram
os estrangeiros gloriavam-se de ver os artesanatos Baniwa
que fez com que mais tarde trocassem esses artesanatos
por mercadorias. Ai então os Índios passaram a produzir
e vender bastante aos Colombianos, a FUNAI (Fundação
Nacional do Índio), as Missões Salesianas e a outros.
São estes os
artesanatos que produziam: Flecha e arco para caça e
pesca; Ralo para ralar mandioca; Tipiti para espremer a
massa da mandioca; Balaios e Urutus para guardar a massa,
farinha, tapioca, beiju, frutas etc...; Peneira para
peneirar a massa seca para fazer farinha e beiju, tapioca
ou curadá; Cumatá especial para tirar goma de massa;
Abano para virar e tirar o beiju do forno feito de
argila; Banco para sentar; Pilão para moer a carne
cozida, peixe moqueado, pimenta e outros sempre torrados;
Pulseiras; Anéis de caroço de tucumã; Cesto e Peneira
de cipó para carregar e guardar mantimento; Zarabatana
para caça especial de aves; Japurutu, Cariçu e Flauta são
instrumentos musicais entre outros cada um com seu específico
som harmonioso; Cerâmicas para fazer pratos, panelas,
botija de cerâmica para fabricação de bebidas alcoólicas
especiais e outros ornamentos para momentos de festas e
etc...
Balaios
(Ualaia) e Urutus (Uluda)
Ambos artesanatos
indígenas Baniwa são utilizados tradicionalmente para
guardar mantimentos como farinha, beiju, tapioca e frutas.
Elas podem ser feitos de tamanho grande, médio e
pequeno, são extraídos de uma planta chamada Arumã do
mato, da qual passa pelo processo de ir buscá-lo na
cabeceira dos igarapés na terra firme ou na capoeira,
tirando na medida dependendo do tipo de artesanato que se
pretende fazer, depois disso raspá-lo, lavar, deixar
secar e logo após pintar de preto ou vermelho de urucum,
misturar com verniz do mato para dar tal brilho
excelente, depois de secar a tinta começa a tirar em
talas de tamanho igual, prossegue-se a fazer já para ter
o nome de Balaio ou Urutu, tecendo os desenhos que
preferir até o acabamento.
São 150 unidades
de Arumã para fazer uma dúzia de Urutu ou Balaio. O
Arumã da qual se extrai as talas, são cortados rentes
ao solo, cada vez que se corta um, nasce duas ou três
mudas. Os nomes dos artesãos de Balaio e Urutu são: Júlio
Valentim e Arcindo Graciliano da aldeia Jandú Cachoeira
(Eñipani) perto da sede da OIBI (Organização Indígena
da Bacia do Içana) filiada a FOIRN (Federação das
organizações Indígenas do Rio Negro).

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